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Jornal comunitário mostra realidade vivida na Rocinha

falaroca entrega do jornal

Foto: Kita Pedroza

O Jornal Fala Roça nasceu a partir da iniciativa de jovens moradores da Rocinha-RJ, que participaram de atividades criativas da Agência de Redes Para Juventude, cujo objetivo era pensar os jovens como protagonistas de seus desejos e realizações. Ali eles puderam ver a grande oportunidade de dar voz aos moradores da Rocinha e mostrar a verdadeira Rocinha para o Brasil, que é uma das favelas mais populares do paí. Pois, como eles se autodenominam, o Fala Roça é o jornal de quem vê de dentro. Durante a participação na Agência os jovens ganharam 10 mil reais para darem início às atividades da publicação, e esse dinheiro foi de grande ajuda para dar o “pontapé inicial” nas impressões do jornal.
A primeira versão impressa do Fala Roça foi lançada em 2013, tendo sido um grande sucesso entre os moradores da Rocinha, pois eles puderam ver a verdadeira realidade da comunidade que eles viviam em um jornal onde eles se identificavam, e não apenas aquelas notícias que eram veiculadas nos grandes jornais e que, na maioria das vezes, eram apenas notícias de tiroteio, tráfico de drogas, assassinatos e roubos. Inicialmente, o jornal tinha sido pensado para ser apenas uma publicação impressa, pois muitos moradores não tinham acesso à internet. Além disso, os idealizadores do jornal fizeram uma singela homenagem ao grande número de moradores nordestinos da comunidade, que vieram da roça, colocando o termo “roça” no nome do jornal. Com o passar dos anos, a quantidade de exemplares já não estava suprindo o número de moradores interessados em ler o jornal. Além disso, com o avanço da tecnologia foi necessário começar a produzir reportagens para a versão digital e vídeos, com o intuito de abranger todos os moradores da Rocinha e não moradores de lá que estavam interessados nas notícias da comunidade.
Como supracitado, o Jornal fala Roça está articulado à comunidade da Rocinha, que é a maior favela da América Latina, localizada na Zona Sul do Rio de Janeiro e com uma população de cerca de 120 mil habitantes. O nome da Rocinha veio do nome de uma fazenda chamada “Roça”, que ocupava o local na década de 1920. A comunidade teve origem na divisão em chácaras da antiga Fazenda Quebra-Cangalha, produtora de café. Essas chácaras foram adquiridas por imigrantes portugueses e espanhóis, e por volta de 1930 se tornaram um centro fornecedor de hortaliças para a feira da Praça Santos Dumont, na Gávea, que abastecia a Zona Sul da cidade. Na década de 1940, aconteceu um grande processo de ocupação por pessoas que acreditavam que aquelas terras eram públicas, ou seja, “sem donos”. A partir de 1950 houve o aumento de migração de nordestinos para o Rio de Janeiro, direcionando-se em parte para a Rocinha, que até hoje é a grande maioria da população da comunidade. E assim, a Rocinha foi crescendo rapidamente e sem infraestrutura com a degradação das áreas verdes, ruas estreitas e falta de saneamento básico, mas com muita história por trás de cada morador.
Como um jornal pensado por jovens moradores da Rocinha, o “Fala Roça” é produzido pelos habitantes de diversas áreas. Atualmente,fazem parte do time: Beatriz Calado, Amanda Pinheiro, Edu Carvalho, Eraldo Silva, Ingrid Farias, Jaciana Melquiades, Luiz Carlos Toledo, Michel Silva, Michele Silva, Ocimar Santos, Roselany Ribeiro, Sophia Mello e Tainá de Paula, que dedicam um pouco de seu tempo para levar informação aos moradores.
O Fala Roça é um jornal comunitário da Rocinha, e ele até hoje é entregue impresso para os moradores de porta em porta, mas também está presente nas mídias digitais: site, Instagram, Facebook e Twitter. Como ele é um jornal feito pela comunidade e para comunidade, ele é escrito por moradores da Rocinha e a população pode colaborar enviando pautas e reportagens para o jornal mostrando a realidade da comunidade.
Atualmente, em um momento tão difícil que a humanidade está passando com a pandemia, o jornal tem buscado levar o maior número de informações confiáveis sobre a pandemia para a população da comunidade, dando dicas de como evitar o contágio do vírus e divulgando diariamente o número de casos confirmados, óbitos e recuperados na Rocinha. Além disso, em Junho de 2020, o jornal em parceria com a organização internacional Repórter Sem Fronteiras, fez um programa que buscava moradores da Rocinha, estudantes de jornalismo, jornalistas ou de outras profissões, mesmo que não possuíssem experiência na área de jornalismo para dar sugestões de produção jornalística sobre os impactos da pandemia da Covid-19 na Rocinha, pois com a pandemia, muitos moradores tiveram que fechar as portas de seus comércios e perderam o emprego.

 

REFERÊNCIAS

JORNAL FALA ROÇA. Nossa história. Disponível em: < https://falaroca.com/nossa-historia/ >.  Acesso em: 30 set. 2020

AGENDA BAFAFÁ. Favela da Rocinha surgiu em 1927 onde era uma roça, confira a história. 2020. Disponível em: < agendabafafá >. Acesso em:  30 set. 2020