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Movimento "Corpo Livre" promove a autoaceitação nas redes sociais

As discussões e lutas acerca da inclusão de pessoas com corpos diferentes nos diversos ambientes sociais começou nos Estados Unidos durante a segunda onda feminista com o fat liberation movement (movimento da liberação do gordo) ou fat acceptance movement (movimento da aceitação do gordo). Depois surgiu o “corpo positivo”, nos anos 1990, que deu origem ao Instituto The Body Positive (O Corpo Positivo) fundado por Connie Sobczak e Elizabeth Scott, que juntas trabalham no combate de transtornos alimentares, dentre outros problemas envolvendo corpo e mente. (Souza, 2019) 

Com o advento das redes sociais, o Body Positive Movement se tornou ainda maior, gerando mais relevância para indivíduos que não se encaixam no padrão estabelecido. No entanto, começou a sofrer uma certa banalização com influenciadores, artistas e marcas usando o movimento como meio de se promover. Fato apontado pela cantora Lizzo, em recente entrevista para a BBC, em que comemorava ser a "primeira mulher negra grande" a aparecer na capa da revista Vogue e questionava se o Body Positive ainda estava cumprindo sua proposta inicial de proporcionar mais visibilidade sobre as discussões acerca do assunto.

Considerando o contexto do Body Positive Movement, a brasileira, comunicadora e ativista Alexandra Gurgel, criou a hashtag #CorpoLivre por meio do seu canal no Youtube, Alexandrismos, em 2015 e publicou seu primeiro livro sobre o assunto “Pare de se odiar” em 2018. Em seguida criou a página Movimento Corpo Livre no Instagram para tratar exclusivamente do tema. No Brasil, em contraponto aos Estados Unidos, se tornou mais abrangente, incorporando outras causas como o capacitismo, questões de privilégio, bem-estar e saúde mental. 

O movimento é mais ativo nas redes sociais e a página no Instagram é gerenciada por uma equipe comandada por Alexandra, que conta com a contribuição de vários outros influenciadores, além do auxílio de profissionais da saúde. 

Gurgel continua uma referência quando se pensa nas discussões acerca de padrões de beleza e gordofobia (preconceito contra pessoas gordas), assim, após a criação da página gerou-se mais visibilidade para a causa e houve mais espaço para que outros também pudessem produzir seu próprio conteúdo como a Luana Carvalho e  a Ju Romano.

Além dos vídeos produzidos para página no Instagram e o Youtube, existem também TikTok e o Twitter  em que o conteúdo desenvolvido não se restringe somente ao  movimento. No TikTok o tema é sempre abordado de uma forma mais lúdica e divertida, enquanto no Instagram, Twitter e Youtube prevalece um tom pouco mais sério, porém objetivo e simples. Há muita interação com os seguidores, sempre procurando mostrar da melhor maneira possível como determinados comportamentos podem contribuir para prevenir o preconceito e proporcionar mais representatividade. Exemplo disso, é o caso do canal Porta dos Fundos que publicou o vídeo “Teste de Covid” com piadas de cunho gordofóbico e a página, assim como outras personalidades da internet, se envolveu para questionar tais atitudes e abrir espaço para discussão entre os internautas. 

Além disso, buscam estar atualizados sobre os principais assuntos, como a pandemia. Percebendo que o isolamento poderia acarretar problemas de saúde mental, começaram a desenvolver projetos para ajudar a lidar com a situação de forma mais leve explicando a melhor maneira de se manter fisicamente e mentalmente  saudáveis por meio de lives, aulas virtuais de yoga e meditação.

Com isso, analisando o movimento de maneira mais aprofundada é possível perceber, de acordo com Peruzzo (2009), que ele pode ser considerado uma comunicação popular-alternativa, pois se utiliza de mídias sociais para mobilização e discussão das pautas que o envolvem. 

 

Fontes:

Body Positive – estudo de caso nas mídias digitais. Carolina Duó de Souza.

Aproximações entre a comunicação popular e comunitária e a imprensa alternativa no Brasil na era do ciberespaço. Cicília M. Krohling Peruzzo.

Padrões de beleza da antiguidade 

Movimento Corpo Livre, o que é e como ensina a amar o corpo como ele é