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Quilombolas de Santarém mobilizam ações coletivas contra avanço da covid-19

Foto Reunião FOQS

Foto: Miriane costa / Reunião Planejamento FOQS 

Histórico e contextualização 

A Federação das Organizações Quilombolas de Santarém - FOQS é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, criada em 10 de março de 2006 com o objetivo de lutar pela implementação de políticas públicas paras as comunidades quilombolas do município de Santarém (PA). 

Atualmente a FOQS representa 12 quilombos da região. Em suas lutas por políticas públicas, a FOQS também conta com a parceria da Coordenação das Associações das Comunidades de Remanescentes de Quilombos do Pará - MALUNGU e da Coordenação Nacional de Quilombos - CONAQ. 

Organização e estrutura 

O projeto Omulu - Terra de Quilombo nasceu da necessidade de atenção à saúde, segurança alimentar e nutricional e segurança dos territórios quilombolas nesse tempo de pandemia, em prevenção e diminuição do avanço da Covid-19 nos quilombos de Santarém. O projeto, por intermédio de ações solidárias, leva para as comunidades, alimentos, materiais de higiene pessoal e limpeza e informações sobre a Covid-19, já que muitos dos quilombos da região não possuem sinal de internet e/ou telefônico. 

Como o projeto específico nasce da necessidade de políticas de enfrentamento a Covid-19 nos quilombos da região, a maioria de suas ações trabalha com a temática de prevenção do contágio e subsídio coletivo de proteção dos territórios. 

A comunicação do projeto é chefiada por representantes – fora do grupo de risco do novo coronavírus - ou seja, muito da força de produção são jovens da própria comunidade. São observadas duas frentes importantes para a comunicação do projeto comunitário: 

1 – Fornecimento de informações;

2 – Levantamento de Informações; 

Já em termos de composição e representações do projeto, se destaca a estrutura organizacional. A iniciativa possui diretoria e conselho fiscal. Em ambos os postos, todos e todas são quilombolas de alguma das regiões da Federação. Além disso, é notável a representação feminina nestes espaços de decisões, pois existem mulheres em todos os postos. 

O projeto conta com parceiros que executam projetos financeiros, já que a Federação não possui CNPJ. Atualmente, estão ocupando estas funções a Custódia São Benedito da Amazonas, recebedora do recurso, e a Ordem Franciscana Secular - Fraternidade São Francisco de Assis / Santarém-PA, que entrou com a assessoria do projeto. 

Ações e processos comunicacionais 

Como já citado, a comunicação do projeto enfrenta o desafio da baixa conexão de internet na região atendida, ou seja, grande parte dos produtos precisam estar em materiais impressos e de fácil compreensão, com imagens e outras formas de divulgação que não estejam atrelados apenas na leitura convencional, como áudios em carros de som. 

Podem ser destacadas algumas ações como: 

Confecção de 1500 folders informativos sobre formas de contágio e prevenção da covid-19 e a reprodução dos conteúdos também em áudios informativos para veiculação em moto volante nos quilombos: 

Produção de placas de restrição de entrada de pessoas estranhas aos quilombos, para diminuição do contágio da doença e a confecção de cartazes. 

O projeto conta com suporte comunicacional digital, como página no Facebook. No entanto suas ações nessa rede são para registro histórico das ações e visibilidade de campanhas solidárias. 

Paralelamente à produção de informações para as comunidades, outro trabalho que é desenvolvido pelo projeto é o levantamento de informações sobre a realidade da covid-19 dentro dos territórios associados. A demanda é constituída também pela falta de ações do estado que destaquem o cenário atual da doença dentro da região, já que, as informações sobre número de casos do estado não especificam como a covid-19 atinge as comunidades quilombolas. O levantamento é em conjunto com a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas – CONAQ, que compila os dados e traz boletins nacionais do avanço da doença em quilombos de todo país. 

Pensando na realidade do estado onde o projeto atua, em que lidera em número de casos de Covid-19 em quilombos, a iniciativa é bastante relevante e considera as realidades da região. A forma de atuação se diferencia de muitos outros projetos de comunicação comunitária que atualmente investem forças em comunicação digital. 

Podemos observar que grande parte das ações são fruto de doações e alguns investimentos de organizações de direitos humanos. Um grande diferencial é que o momento de pandemia exige que todo o projeto seja tocado por pessoas das próprias comunidades, ou seja, são os atores tomando conta das suas próprias histórias. 

Fontes consultadas 

Federação das Organizações Quilombolas de Santarém - FOQS 

Miriane Miriane Costa Coelho, da comunidade Nova Vista do Ituqui - Secretaria da FOQS;

Figura 1 - Logo oficial do projeto. Criação de Marluce Coelho, quilombola de Nova Vista do Ituqui 

Figura 2: folders informativos - Comunicação FOQS

Figura 3: Arquivo FOQS / placas de restrição da entrada nos quilombos. 

 Figura 4: Arquivo FOQS/ cadernos informativos sobre a covid-19